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Terça-feira, Novembro 20, 2007

Lastimável
Enquanto as bestas são louvadas, os justos pagam por si e pelas bestas.

Nâo escrevia nesse blog sobre futebol. Não o fazia, até hoje. E assim agia por pensar "ora...registrar no cyberespaço algo sobre o que todo mundo sabe que eu amo?" Me parecia pouco interessante escrever mais linhas acerca do esporte com o qual, inclusive, eu trabalho. E ainda mais pouco condizente com o ideal de usar esse espaço como catalisador, ou melhor, descobridor das habilidades e temáticas literárias pouco exploradas por mim. No entanto, um fato muito recente me deixou bastante triste e tornou mais evidente minha descrença na justiça do homem. Era um domingo. O último, agora, dia do jogo do Brasil contra o Peru pelas Eliminatórias da Copa 2010. Eu, confortavelmente, assistia à partida, até com um pouco de sono. Cansado da viagem e do trabalho no final de semana, fora a gripe... Um comentário infeliz, porém, veio como faca pontiaguda em meus ouvidos que viajou rápido como um troço pro coração. Marcados trinta e poucos minutos do primeiro tempo, eis que o vitalício Galvão Bueno me arrota:

"É, o bandeira errou. Mas também!? O que é que se passa na cabeça de um cidadão que resolve ser bandeirinha?"

No exato momento em que ouvi, pensei "Esse cara é um idiota!". Depois refleti sobre o conteúdo do comentário e percebi que ele é muito mais idiota do que eu e o senso comum clamam! Como pôde um comunicador denegrir toda a classe dos assistentes de árbitros de futebol? Aliás, mostrando um desconhecimento severo da terminologia do esporte com o qual ele trabalha há mais tempo do que eu sou nascido! "Bandeirinha" é algo extremamente pejorativo e não deve ser empregado, mas creio que Galvão preze mais pelo fator 'audiência' do que pelo fator 'qualidade'. Creio não, tenho certeza.

O cara coloca um profissional qualificado da cadeira acadêmica da Educação Física ao mesmo nível de alguém que, depois de muitas investidas profissionais, nada atingiu e, de resto, apenas lhe sobrou uma bandeirinha para levantar à beira de um gramado miserável! Será que Galvão é mesmo tão ignorante que não percebe que estamos no Brasil? Que aqui, por mais que um homem se qualifique, nada garante que o sucesso profissional aconteça? Ou ainda! O desconhecimento sobre a realidade brasileira deste sujeito é tamanho, a ponto de ele ter me deixado imaginando que o principal comunicador da área esportiva da nação ignora o trabalho feito por um gari, por exemplo! Galvão deve pensar "ora...o que se passa na cabeça desse negro infeliz que tá aí varrendo a rua?"

Se você realmente não sabe, meu indigno, eu digo o que se passa: fome, falta de oportunidades escolares e profissionais, preconceitos racial, sexual e regional, uma cultura de educação na qual só quem tem valor é o jovem universitário que sai da faculdade para aprender a ganhar dinheiro, mas não pra consertar a sociedade. Em suma, o que se passa na cabeça de um cidadão que "escolhe" uma profissão ou do cidadão que "é escolhido" por ela, são fatores que Galvão simplesmente ignora ou despreza. Isso me deixou triste, como comunicador e como brasileiro que teimo em me considerar cidadão.

Agora, se cada um pode dizer o que convém, pergunto: quais os motivos para que um locutor esportivo, alguém com décadas de carreira, como já disse, que domina este importante setor da cultura deste país, alguém que deveria saber a importância das suas frases na formação da opinião e do caráter de milhões de pessoas; ser xingado de forma tão suja, humilhante e anárquica em repetidas situações, a pior delas, em outubro, quando a seleção brasileira jogou contra o Equador, no Maracanã, sendo nosso caríssimo locutor xingado por nada menos que 85 mil pessoas?

Eis os links:

http://www.youtube.com/watch?v=hUPB587-QSA - Partida da Libertadores, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre

http://www.youtube.com/watch?v=c7q7P4qbDI8&feature=related - No Maracanã

http://www.youtube.com/watch?v=uvpTVUixhS0&feature=related - Até no Pan...no basquete!


Viu? Não era sobre futebol.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 11:03 PM



Sexta-feira, Outubro 19, 2007

Eu sou uma sopa

Ontem subíamos a serra e, no carro, ele me perguntou quem eu acho que sou. Abaixo a reprodução do diálogo:

PJ- ...me diz uma coisa. Eu te conheço e tudo mais, sei o básico sobre você. Tu é gente fina! Mas quem você acha que você é?
V- Como assim? Como eu me descreveria? É isso?
PJ- É. Pode ser, o que você quiser falar sobre você...
V- Ah, sei lá, cara. essa pergunta é difícil de responder.
PJ- Cara...eu aceito que você seja simples na auto-descrição, mas como sei que você não é uma pessoa simples, você não será simples!
V- (risos sarcásticos e intimidados) ...pode ser que você esteja certo. Me dá um exemplo então, sei lá, faz você primeiro.
PJ- OK. Eu sou velho, tô com 55 anos, sou advogado, agente federal, casado com a mesma mulher há 35 anos, tenho um filho...deixa eu ver. sou espírita, maçon...
V- Maçon? Sério? Po, cara...tenho a maior curiosidade nessa parada. Me conta aí como é!
PJ- Tá maluco? Eu te levo lá pra ver qual é a da "parada" (ele naturalmente não gostou do termo que eu usei, embora não saiba que se trata de uma gíria que nem sempre denota caráter "corriqueiro" a algo).
V- Me leva? Hmm...sei lá. Vou pensar. Qual é a de vocês?
PJ- Nós lutamos pelo bem, pela felicidade da humanidade. Independentemente das raças e tal...
V- E po...vocês ficam ricos, né? É que nem judeu...nego se fecha, se ajuda. To certo?
PJ- Tá errado.
V- Sério? Ah...achei que rolasse um lance assim.
PJ- Cara! Você tem que entender que o que rola lá é um significado diferente do que é humanidade! A gente vê o homem como uma parte integrada de outros cinco corpos.
V- (cara de quem estava entendendo tudo, porém, no íntimo, achava aquilo um pouco "papo de hippie de copacabana às seis da tarde de sexta-feira") Aham...sei
PJ- Você sabe, né? Um deles é o físico, que é o que fica, que morre, assim como os outros dois (confesso que esqueci os nomes...). Os outros dois são o espiritual e o intelectual. Esses não morrem, cara! Esses te mantêm vivo.
V- Po...pensei uma parada aqui sobre isso. Acho que é por isso que tanta gente tenta ficar pra posteridade, né? Tanta gente tenta ficar pra história, mesmo que não veja os resultados do que tá fazendo e mesmo que hoje tão pouca gente lute por algo que não vá ver. Postei até isso no meu blog outro dia.
PJ- Maneiro, cara. Tu tem blog, é? E o que você escreve nele?
V- Coisas interessantes que acontecem comigo, uns textos maneiros. Talvez se você ler você vai entender um pouco mais sobre mim. Ou não
PJ- (risos debochados) Pareceu o Caetano Veloso falando...
V- Sabe que eu gosto pra caramba dele?
PJ- Eu não!
(silêncio que dura cinco minutos e quarenta e dois segundos até voltarem ao assunto de antes)
V- Então quer dizer que eu, assim como todo mundo, sou uma conjunção de cinco corpos em um?
PJ- É, cara! Você é uma sopa!
V- (segura firmemente o riso contagiado, não irônico)
PJ- Você tem essa capa, que é o corpo físico, que mantem todos os outros dentro. O importante é evoluir os cinco de maneira equilibrada.
V- Eu me acho equilibrado.
PJ- É? Aos 22 anos?
V- Mais do que a maioria e menos do que ainda vou conseguir.
PJ- Já é alguma coisa! Tá se soltando! (riso breve)
V- Gostei desse história da sopa! Vou colocar no blog.
PJ- Tira a parte do Caetano Veloso, po! Todo mundo gosta dele, pode pegar mal pra mim.
V- Vou tirar os nossos nomes, pode deixar.

Faz bastante frio no lugar onde estou. Mas frio é psicológico.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 11:09 AM



Sexta-feira, Outubro 05, 2007

T.I.N.A. – “There Is No Alternative” e o Socialismo x Capitalismo x Monarquia

Às vezes não parece, às vezes fica evidente: estamos no Brasil. Em tempos tão idiotas, ouso dizer que amo a terra onde vivo. Sejamos sinceros, há lugar mais naturalmente bem-fornecido de coisas boas que aqui? Não conheço o resto do mundo, mas também não faço muita questão. Ruim aqui é que o Brasil não pensa. Ele não raciocina como um país, mas como indivíduo. Não há mundo, continente, país, cidade, bairro ou até casal de namorados que sobreviva quando se pensa somente em si.

Não precisa ser gênio pra notar que a situação política ta feia por aqui. E que a política, por ser tão importante em países maltrapilhos, interfere mais do que o normal nas vidas de cada um dos que habitam esta terra. Eu, que tenho menos de um quarto de século de idade, já ouvi e vivi incontáveis crises e escândalos. Certamente os atuais não são piores que os últimos, apenas recebem maior cobertura da imprensa. Imprensa que por sua vez não faz questão de não transformar assunto sério em produto; seja na forma de debate ou piada.

E por amar isso daqui que me choco. Fico triste. Não quero aportar em outras terras, não sou covarde. A tentação de deixar o Brasil para os néscios e os sem-mãe é muito grande. Ainda mais quando o esforço da luta toma proporções ultra-humanas. Margareth Thatcher, “the Iron Maiden”, disse que “There Is No Alternative (T.I.N.A, como disseram os jornais na época)” com o mundo envolto na atmosfera neo-liberal nas proporções em que está. Mas será mesmo que não há alternativa na política pra nós?

Suponhamos, só porque não temos muito o que fazer, que tudo continue como está. Política de alinhamento com o exterior, política fiscal e cambial não muito flutuantes, pouco interesse em questões ambientais, sociais e em investimento em setores básicos, pouco interesse no desenvolvimento agrícola e na reforma agrária, inefetivo combate à corrupção e ao excesso de burocracia, entre tantos outros, sem contar ainda com a cultura já encravada na voz coletiva de que a resolução dos problemas deve partir sempre do macro e ainda por cima no curto prazo. Pensei, bem basicamente e no ônibus, em três situações políticas nada novas para o Brasil de hoje. São elas: Monarquia, Socialismo e Capitalismo. Seguem abaixo:

Se nos tornarmos uma monarquia, com poder executivo nas mãos de um único homem que delega poderes e governa por decreto, sejamos sinceros que esse monarca deveria ser o homem mais esclarecido e bem intencionado da nação. Na verdade, creio que ele substituiria Deus na função político-espiritual que Este tem no Brasil. Exatamente porque seria o Macro resolvendo tudo no curto prazo. Mas isso é improvável, embora utópico. Quem em sã consciência deixaria tanto poder nas mãos de um homem só (Deus, talvez, seja esse cara?)..., ainda mais que eu, no começo do texto, avacalhei com o dom que é nascer brasileiro?

Se embarcarmos de vez no socialismo, eis o caos, pelo menos no curto prazo. O ser humano, social que é, vive da diferença e do contraste, da contradição. Um regime que torna todos iguais, mesmo que no papel, depois de tanto tempo de exacerbação da individualidade, só tende à implosão. Um dos erros dos socialistas é ignorar a influência da cultura e dos costumes, das próprias regras das ciências sociais, na sociedade humana. A psicanálise, que na essência tem sua teoria parecida com a do socialismo, contradiz o pensamento de Marx quando torna incapaz a mutabilidade de costumes do homem, depois que deixa de ser criança, ainda bem novinha. Ou seja, o capitalismo está nos nossos corações até a alma, queiramos nós ou não.

Se tudo continuar como está, o Brasil será dois. E dois em conflito. Um que anda de Ipod no bolso e que faz curso universitário, mas que, na volta para casa, perde o carro para o Brasil que ouve dez mil nãos para cada sim durante a vida. É uma afirmação bastante lógica: quanto mais desigual ficamos, embora o todo seja feito de plurais, deixamos de ser uma para ser várias nações. É como se você pegasse duas crianças e colocasse num compartimento onde só cabe uma, fisicamente. Elas lutarão. E assim será conosco.

Mas será então que essa dona baronesa da Inglaterra estava certa? Eu não consegui chegar a nenhuma situação política favorável ao Brasil, ou que pelo menos desse resultado em tempo razoável, já que não se luta mais por objetivo que não vá ser visto. É desesperador ser brasileiro, ainda que a praia seja sempre tão boa no final de semana. Agora entendo os alcoólatras.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 8:27 PM



Domingo, Setembro 30, 2007

Como resumir 22 anos em algumas linhas?

Em 1985 descobri o útero e achei aquilo muito legal. Era quente, cômodo e não exigia esforço algum da minha parte. Era ótimo, mas eu vivia reclamando. Uma hora chutava a pança da minha mãe por causa da falta de espaço, outra hora por causa do excesso de alimentos. Aí nasci e considerei que passar batido pelos dois primeiros anos daria mais agilidade ao meu relato. Logo, em 1987 descobri as cuecas, descobri que "você" podia ser eu, mas também podia ser você e que minha mãe me enganava, colocando beterraba no feijão. Já em 1989, comecei a ler. Mal, mas comecei. Passaram-se alguns anos, descobri três coisas que seriam muito importantes, mas não me lembro direito a data das descobertas nem como elas foram se desenrolando. São elas: fêmeas, futebol e música, mais especificamente o rock 'n roll. E então os anos noventa foram se desenrolando numa eterna orgia pré-adolescente, na qual pessoas como Axl Rose e muitas playmates faziam parte do meu cotidiano e da minha "alfabetização". Graças a Deus vieram os anos 2000. Neles descobri que o mundo não é o que eu queria que fôsse, que a gente tem que trabalhar, fazer faculdade, ser bonito, ser legal e magro, que o presidente acha que os tsunamis são culpa do aquecimento global, que seu time do coração ainda vai te matar....e do coração! Em 2006 eu só fiz merda. Então, descobri tudo que não se deve fazer.

Agora só espero que as descobertas não cessem. E, como escreveu Veríssimo, que elas tenham bunda grande.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 4:22 AM



Sábado, Setembro 15, 2007

Quer saber?

Fiquei feliz com a absolvição do Renan Calheiros. Imagina...se ele fosse considerado culpado dos crimes que as evidências mostram, A gente ia achar que o Brasil tá melhorando.

P.S. Eu me incluo nesse "A gente".

P.S. 2 Nem dá raiva mais...será que eu estou ficando anestesiado?

P.S. 3 Oração do brasileiro que quer sair do país - "Oremos, amigos. Lutemos brava e corajosamente aqui, embora haja em nossa terra safadeza, injustiça, roubalheira, canalhice, violência e burrice."

P.S. 4 Porra! Essa oração dá é vontade de fugir daqui!

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 8:31 AM



Sábado, Setembro 08, 2007

Eu Não Queria O PAN
(texto escrito na época do pan. acabei deixando de lado, mas que acho que merece ser postado)

A ha! Você achou que viria mais um texto chato e longo do seu camaradinha Vinícius Andrade, dessa vez, sobre os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, não é mesmo? Pois saiba que desta vez você se deu mal, caríssimo leitor! Eu não preciso blasfemar contra os absurdos...err...digo! jogos que estão acontecendo na minha cidade!

As instalações hiper-faturadas, os estádios e ginásios que virarão elefantes brancos, o orçamento que estourou quase dez vezes, os três relatórios do Tribunal de Contas da União que reprovaram a realização deste evento (coisa que nenhuma TV aberta, naturalmente, noticiou...), a implantação de um sentimento ufanista em uma população ignorante que não sabe que o tão querido Pan é, na verdade, uma competição de terceiro escalão, a cartilha do COB proibindo os atletas a fazerem críticas abertas a qualquer dirigente, a falta de licitações para as empresas (todas apadrinhadas), o fato de o tio Nuzman ser também o dono da CO-Rio (que fez essa porra toda...), o fato de que o Brasil não sediará nenhuma Olimpíada enquanto eu estiver vivo e que esse discurso de "estamos preparando a cidade para qualquer mega-evento" é uma mentira e o fato de que (quase) tudo que se faz nesse país é feito ou "nas-coxas" e/ou graças a interesses econômicos que nada têm a ver com quem não pertence à elite; falam por mim e já são argumentos suficientes para que ninguém mais dê apoio a todo esse grande circo que se montou.

Eu não queria o Pan. Nunca quis. Não entendo nada de Tae-kwon-do (nem de 3/4 das modalidades), não quero conhecer nenhum uruguaio perdido pelo caminho, não quero vestir camisa nenhuma com porra de solzinho sorridente nenhum, não quero ver que 3,8 bilhões saíram dos bolsos de tantos milhões de nós para promoverem politicamente um ou outro filho-da-puta (com todo respeito à profissão, as senhoras prostitutas não mereciam ter concebido filhos com tal caráter...)

Eu queria um metrô que fosse até o fim do mundo (como eles prometeram e não cumpriram!), eu queria não ser assaltado ou pelo menos poder parar de andar com medo, eu queria poder saber que os caras terão a disposição de chegar, um belo dia, e nos comunicarem, via plantão "vamos investir 3,8 bilhões em escolas, universidades, hospitais, capacitação profissional, lutar contra o abismo social dessa porra de país, vamos investir naquela baía de guanabara cheia de merda, vamos fazer algo por vocês, miseráveis!" e acho que eu queria poder pegar um avião. E quando pegasse, não morresse.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 4:36 AM



Terça-feira, Agosto 21, 2007

todo lo que quiero...

Del amor, no deseo mucho
Solamente su dulce magnetismo
Dos personas distintas
Que buscan lo mismo

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 10:37 PM



Quarta-feira, Julho 25, 2007

Contradição

letra e melodia por mim mesmo

D Bm
você me adverte
Você me deixa feliz
você me diverte
você debocha da espinha no meu nariz
Você me confia
Você me põe na sua conta no banco
Você me supremacia
Você me quer criando o seu bando

Em7 A7 D7M G7M
você me faz companhia e não me deixa ser sozinho
Bb7M A7
Você nunca dá bom dia e quem disse que eu ligo?

D Bm
Você me compete
Você se mata se me vir chorar
Você se derrete
Você nunca vai deixar eu notar

Em7 A7 D7M G7M
Você me contagia eu nem sequer sei bem porque
Bb7M A7
Você traz a ventania e a gente faz um buquê

REFRÃO
G7M D7M
Você é contradição
Você é só contradição
Você é pura contradição
Você é muita contradição


*Toque e cante como quiser.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 8:51 AM



Segunda-feira, Junho 11, 2007

A Mãe

"Eu poderia começar isto que estou chamando de carta com um "Aos amigos, família, companheiros de trabalho, adeus". Poderia, mas não farei isso. Acho que seria covarde demais para uma pessoa como eu, cujos limites estão sendo testados há um bom tempo de maneira intensa e quase insuportável.

Mas quem me aplica esse teste? Quem é o grande interessado em saber até onde posso chegar? Será Deus? Será, talvez, que tudo é como é por eu não acreditar na Sua existência e por isso ele me faz viver minha vida dessa maneira? Li, quando adolescente, que quando o homem sofre muito, ou ele se apega cegamente ao que não pode ver, ou se volta contra o intangível, o inatingível, tentando supera-lo. Eu, no entanto, não penso de nenhuma das duas maneiras. Simplesmente não sei no que pensar, no que acreditar, no que me apegar. Tenho, sim, feito questão de me apegar a mim mesma e à pessoa que me faz escrever agora, que é o meu filho Gabriel.

Meu filho tem dezesseis anos. Faz aniversário em dezembro. Ou seja, dezesseis é a quantidade de anos que não vivo mais com prazer. É injusto e imoral uma mãe falar isso? Pode ser, talvez seja e talvez eu seja a mais egoísta das mães. Venho tentando não culpar o Gabriel e sua doença por terem me anulado para o mundo e para mim mesma, mas é inegável que a deficiência do meu filho também me tornou, de certa maneira, uma pessoa deficiente.

Eu tinha apenas vinte e três anos quando ele nasceu. Era uma mulher recém-formada e fazia parte daquela que poderíamos chamar de primeira geração de mulheres independentes. Hoje, com quarenta, pareço ter bem mais. Os anos passam mais depressa para quem não vive para si. Eu perdi muitas coisas nesse tempo. E o que me faz escrever agora é a noção de poder contabilizar o quanto perdi, mas não conseguir me lembrar de nada que me tenha sido favorável. Ganhei Gabriel e perdi capacidade profissional, sanidade, a capacidade de atrair gente, sejam homens, amigos, o quer que seja.

Como esquecer de dizer que perdi a capacidade de chorar, o que em nós, mulheres, não é uma habilidade adquirida com o tempo, é um dom? Vejo-me seca, insensível e falsamente madura. Acho que pior do que me debulhar em lágrimas e acordar com os olhos inchados, é não conseguir pôr pra fora o sofrimento. Há muito eu tenho chorado por dentro. Quem me conhece diz que virei pedra.

Teria eu cometido algum crime hediondo em uma suposta outra vida, teoria na qual também não me apego e me recuso com veemência a aceitar graças ao teor injusto e não-lógico de sua essência, e agora estaria pagando por este crime? É errado uma mulher não querer passar o resto de sua vida sozinha?

Por isso não acabo com tudo, seja qual for a maneira de fazê-lo. Não pretendo me matar, de maneira nenhuma. Não nego que os pensamentos são incessantes em dar-me paz da maneira mais fácil. Não nego também já ter pensado em acabar de uma vez por todas com ele, que vez por outra coloco na condição de mote, de culpado, de causa, mas, já que estou tentando pensar como um ser lógico e aliando toda essa loucura a algum senso de justiça, eu estaria indo de encontro a todos estes princípios."


Seguinte, rapaziada. Tô escrevendo um livro e esse é apenas um aperitivo. Ele vai se chamar "A mãe" e conta a história de uma mulher que teve sua vida completamente modificada pelo nascimento de seu filho, que tem altos níveis de deficiência mental. O que acabaram de ler é uma carta, escrita pela protagonista numa madrugada de fevereiro em algum ano não muito distante. É a abertura do livro.

Muito obrigado pela atenção e espero que gostem!

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 10:21 PM



Quarta-feira, Junho 06, 2007

DR

A gente não sabe dançar
Mas vive tentando acertar
Todo incerto
Todo vago
Atrás dos passos que não são
Nem dois pra lá, nem dois pra cá.

A gente não sabe beijar
Mas vive tentando agradar
Todo insosso
Tanto nojo
Atrás de bocas que não falarão
quando delas a gente mais precisar

A gente não sabe trepar
Mas vive tentando gozar
Todo ereto
Notívago
Atrás de prazeres que não dão...
- Prazer. Não precisamos nos falar!

A gente não sabe pensar
Mas vive tentando ganhar
Todo esperto
Todo otário
Atrás daquele papo de ganha-pão
Que não deixa dançar, beijar, trepar ou pensar.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 8:55 PM



Sexta-feira, Maio 25, 2007

Apenas mais uma questão sem importância

Discussões sobre estética vão longe e, na maioria das vezes, não se chega a lugar algum com elas. Pode-se, sim, chegar às vias de fato, decepcionar-se profunda e eternamente com a opinião emitida por alguém que tenhamos estima e, na hipótese mais saudável, perder a razão e o argumento e começar a fechar a cara pelo resto do dia por pirraça. É aquela velha história de não se discutir gosto, religião, time e mãe - cada um tem o seu (sua).

Eu cheguei a essa conclusão depois de me pegar em uma roda, conversando sobre padrões estéticos, suas implicações culturais e sociais com determinadas pessoas que julguei serem informadas e inteligentes, terem senso crítico. Essas coisas que condicionamos achar que um jovem, por freqüentar uma universidade, deve possuir. Fiquei triste e indignado com a opinião das pessoas à minha volta quando eu, inocentemente, expus que penso ser o Brasil ainda um país racista. Me pediram um exemplo. Citei a palavra "cabelo" e alguns já começaram a se coçar, achando que da minha boca sairia alguma piada machista ou formulação sem nexo lógico.

Disse que me revoltava com certas expressões que nós, em pleno 2007, século XXI, uma Era dominada por tanto cientificismo modernista e tanta descrença pós-modernista, ainda usamos para fazer referência aos cabelos. Indaguei qual seria a validade de usarmos expressões como "cabelo duro" e a pior de todas, a que mais me consterna, que é "cabelo ruim". Indaguei se é correto e indaguei a cada um ali se já tinha parado para pensar no quão cruel era tornar inferior uma parte do corpo de alguém, só por este apenas existir. Me refiro aos negros.

Sinceramente...pra este leigo na arte capilar que vos escreve, um cabelo, ou seu couro, que possam levar tais denominações são aqueles que padecem de doenças como a caspa, a seborréia e tantas outras que vemos em comerciais de condicionadores em peças publicitárias. Em termos práticos, o que quis me questionar e questionar aos demais presentes naquela situação era porque (ainda) precisamos tanto afirmar questões de supremacia racial, travesidas assim, de maneira sutil, porém sórdida?

Esta terminologia virou moda. Não sei se somente no Rio de Janeiro, onde moro e de onde nunca saí por tempo suficiente para a devida desintoxicação. O tocante nisso tudo é que o que eu percebo aqui é que a pergunta que fiz no parágrafo passado só serve pra confirmar outras suspeitas sócio-antropológicas, que virão em outro texto mais adiante: não respeitamos o outro, não aceitamos o outro, queremos ou nos condicionamos a padronizar, a nos tornar massa. E olha que já tivemos pelo menos uns quatro séculos para nos acostumar à miscigenação...

No que se refere à condição da população negra, não os culpo e nem tenho a audácia de dizer publicamente o que cada um deve ou não fazer. É uma pressão de proporções inimagináveis! É a imprensa confirmando e disseminando esse conceito, ao invés de combatê-lo, são as emissoras de TV, as indústrias...todos fazendo um "heil Hitler" disfarçado, bem de leve, praticamente subliminar para exaltar como é superior a raça branca. Embora não critique diretamente, não posso me furtar de deixar minha opinião que é a de que um negro, ao alisar seu cabelo, está confirmando o preconceito, o racismo. Está aceitando o cargo de "ser inferior" que lhe cabe.

Os que estavam sentados à mesa não concordaram comigo e me chamaram radical. Alguns perguntaram se eu era favorável a algum movimento de afirmação racial e outros, que me conferiram uma grande sensação de desânimo e desesperança, não entenderam absolutamente nada do que eu falei, achando que se tratava de" mais uma discussão sobre cotas"...

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 9:06 PM



Quinta-feira, Abril 12, 2007

O dia em que tomei um toco

Às nove e meia da noite de sábado, em pleno feriado de páscoa, estava este que vos escreve no conforto de seu lar, exercitando o ócio com gosto e louvor, quando foi chamado para tomar um pouco do tal líqüido chique, loiro e que usa colarinho no bar mais próximo com amigos mais próximos. Sem banho, sem roupa, sem parentes, sem emprego, sem namorada, sem nenhuma aporrinhação, aquele dia estava sendo uma espécie de retiro espiritual de mim comigo mesmo! Parecia um pachá. Uma espécie de Buda influenciado por Kerouac e suas teorias vagabundicas! Mas como já nem mais as nádegas sentia, resolvi espalhar um rexona for men pra disfarçar, colocar uma camisa menos surrada, pôr os chinelos e sair.

Antes de chegar a esse bar, tenho a mania de ficar espreitando à distância para ver quem está presente, quem já chegou, se vou tomar bolo. Assumo que é coisa de gente neurótica por horário, organização. Enfim...todos têm as suas. Eu pelo menos sei e reconheço as minhas! Voltando a descrever a cena, admito que pela primeira vez eu não era o primeiro a chegar no bar. Me senti mal e bem ao mesmo tempo. Ao passo que não sentiria a ansiedade da espera, também não sentiria o prazer da responsabilidade cumprida à risca.

Lá estavam todos e mais dois intrusos. Um rapaz, que, se não me falha a memória, é o fuckfriend de uma amiga (isso me fez imaginar coisas que eu não queria imaginar...) e uma bela morena de cabelos castanhos e enrolados, que trabalha com outro amigo, dona de uma carinha de hippie sujinha que me apeteceu os olhos e me fez parecer um tarado, visto q faço cara de tarado quando os óculos não estão dispostos sobre o rosto. Preciso dizer que me encantei pela morena à primeira vista?

Meia hora passada, conversa entre amigos vai, vem e eis que Deus resolve se manifestar. A bela hippie (cuja única analogia com sujeira que posso fazer é a de a menina possuir uma mentalidade de porca capitalista assustadora! Donald Trump a contrataria ao ouvir seus primeiros ais!) resolve tomar a atitude que mais me possessa de raiva numa mesa de bar: derramou um chopp inteirinho sobre minha calça bege.

- Ah, meu Deus...olha só que desastrada! Me perdoa! Odeio quando isso acontece! Que desperdício - bradava a morena falsa hippie.
- Não esquenta! Calma! Já que você já fez a merda, pega guardanapos pra mim, por favor! - tentou descontrair o clima o falso bicho-grilo aqui que vos fala. Não satisfeito em fazer uma piada ruim, persisti - mas então! agora, pra se redimir você vai ter que me dar atenção - galanteei eu, com um tom mais clichê que o do Marcos Pasquim nas novelas toscas das sete.
- Ah! Me fala sobre você! Todo mundo aqui diz que você é tão interessante, gente boa!

Pausa. Entenderam que ela me achou feio, mas não teve coragem de mandar um "ah, seu feio...pára de dar em cima de mim só porque eu derramei um chopp em cima de você, porra!". Eu, que percebi isso antes mesmo de a moça descolar um lábio do outro para falar, não desisti.

- Ah...amigos servem pra isso, né? Se nem eles falarem bem de mim, quem falará?
- Isso é verdade. Tenho inveja da força da amizade de vocês.

Pausa dois. Esse foi o momento exato, a deixa, a ferida exposta que a ovelhinha indefesa mostrou para o velho lobo e ele não perdeu a chance de se mostrar interessado (com as devidas segundas intenções) nas sentimentalidades da capitalistazinha judia de copacabana.

Contados no celular, visto que eu não uso relógio, os vinte minutos que se seguiram foram de aproximação quase sexual entre a minha pessoa e a dela. Cabe lembrar que, a essa altura, os demais já notavam a dança do acasalamento que rolava ao lado e até mesmo de maneira física, nos isolaram. Eu, que não estava com paciência para desenroles e joguinhos naquele dia, dei o bote. Apressado, assumo, mas de maneira bem-feita. Ela ficou assustada e soltou:

- Calma! Não sei se eu quero. Nem te conheço direito! - sussurrou (isso mesmo! atentem para o nível de intimidade!) no meu ouvido...
- Já sei porque você não quer - devolvi, com tom irônico.
- Por que então, ó gênio?
- Porque me achou feio. Procede?
- Um pouco. Sei lá...nunca fiquei com ninguém como vc.
- Posso te fazer uma pergunta? (eis o clímax da história! tira o som, manda a mãe calar a boca e não tira os olhos da tela!)
- Claro!
- Você sempre baseia sua felicidade em aspectos estéticos e superficiais que, como diz o ditado, enganam? Não passa pela sua cabeça que eu possa ser ou ficar rico e te dar vida de madame? Que eu possa ser um ator pornô na cama? Um marido fiel e carinhoso em potencial no futuro? Que eu venha a tirar sua cadeira de rodas do sol quando você não mais conseguir andar?
- Você fez mais de uma pergunta... - respondeu-me olhando fixamente nos olhos.
- Falou isso porque não sabe o que responder!

Resumo: ficamos naquela noite, na seguinte e a guria não deixou de me ligar um diazinho sequer. Tô até arrependido...

Moral: somos muito preconceituosos. talvez nossos conceitos tão cheios de certezas infundadas e volúveis sejam o que prende nossa felicidade. Não faz sentido?

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 7:15 PM



Domingo, Abril 08, 2007

Como nossos pais

21 anos, moreno, estatura média, cabelos enrolados e pretos, pardo (segundo o IBGE e segundo o delegado que fez aquele B.O.) olhos cor-de-olhos, óculos no rosto, furo na orelha esquerda, gorduras sobrando, barba sempre por fazer, péssimo gosto musical, DDA, nascido e viciado no Rio de Janeiro, tenor, estudante e solteiro. Esse sou eu. Resumindo, por outro viés, um ser em ampla fervilhação mental característica da idade. Eis, mesmo que não tenha ficado claro, a minha problemática sobre mim mesmo que exporei como ferida prestes a doer muito se tocada.

Fisicamente, já me sei por completo. Já tenho noção do Vinícius que se olha nas ruas. A descrição (mais isenta, impossível!) tá começando o texto exatamente pra mostrar isso! O que me intriga é o outro! Aquele que fica no plano das idéias, aquele que tá dentro da minha cabeça. Sendo mais claro, como lidar com a inexata sensação de saber que é no exato momento que se está formando sua personalidade? Como lidar com uma experiência que vem assim tão de repente, sem aviso e sem preparo, mas que será definitiva?

Acho que se eu fosse metódico ficaria irratadíssimo com isso. Imagina? Você passa por um delineamento de personalidade, mas não sabe quando começa, quando termina, não tem método pra se livrar das coisas ruins e prolongar as boas que te dão prazer e experiência. Se eu fosse também um cara culto, teria lido Proust. Dizem que ele fala bastante bem sobre essas angústias que eu hiper sintetizo em poucas palavras.

Vou dar um exemplo bem pessoal. Tão pessoal que eu provavelmente vou me arrepender quando alguém com insuficiente intimidade vier perguntar: "Você tem problemas com o seu pai?" A resposta será um "Não!" sonoro! Mas voltando, o exemplo é: eu sempre achei errada a maneira como ele lida com relacionamentos amorosos. Sempre fui seu censor e crítico mais ferrenho e menos ouvido. Porém, quando passei pela mesma situação que ele passou, a qual eu jurava de pés juntos que nunca iria agir da mesma maneira, acabei copiando seu jeito irresponsável com o sexo oposto.

Deu um certo medo. Por hora quase caí na asneira de achar que nossa semelhança no trato das fêmeas fôsse uma praga genética, visto que todos da família são assim, como ele. Mas aí voltei à sanidade. Preferi acreditar que era viagem, que era sugestionabilidade de uma cabeça confusa e com pouco tempo e paciência pra refletir. Eu estava querendo arrumar uma justificativa mais fácil e menos lógica pro que eu tava passando.

Um dos meus amigos, o que eu considero o mais influente no que fala e pensa, disse numa corriqueira viagem de ônibus que nós éramos uns ferrados. Que a nossa geração se resumiria a beber, se drogar e se auto-destruir, visto que a tal experiência e os teóricos nos mostram que não adianta fazer mais nada. Achei interessante, aliando com que uma amiga psicóloga disse outro dia: "As pessoas não mudam, querido. Pior que isso! Os erros se acentuam com o passar do tempo..."

Então é isso mesmo? Acabou? Nossa geração é tão covarde que desistiu da luta? Nossos netos vão falar de nós como a "geração covarde"? Será que a música da Elis tinha razão? Somos uma geração perdida e sem futuro? Permanecemos cometendo os mesmos erros deles?

Apesar de não ter certeza de nada do que eu disse acima, confirmo tudo que disse!

...pros que crêem, feliz páscoa.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 4:38 AM



Domingo, Março 25, 2007

Dormir, nunca mais.

D.T. Max

Em 1791, numa pequena cidade perto de Veneza, nasceu um homem chamado Giacomo. Seus familiares tinham, em geral, um porte físico impressionante. Eram fortes, de ombros largos (e ainda hoje são assim). Um dia, no outono de 1836, aos 45 anos de idade, Giacomo adoeceu misteriosamente: parou de dormir, começou a sofrer de demência. Terminou confinado à cama, sem dormir nunca, em meio a tormentos. Depois, morreu.

Giacomo teve três filhos que sobreviveram à infância. Um deles, por sua vez, teve seis filhos. Ao longo do século e meio seguinte, seus descendentes prosperaram. Alguns se tornaram médicos eminentes e homens de negócios. Um deles possuía 130 apartamentos em Veneza, inclusive um palazzo no Grande Canal. Enquanto a família enriquecia, aumentava o índice macabro de mortes prematuras de seus integrantes. Os livros de registro paroquiais trazem, ao longo das décadas, anotações curiosas a respeito da causa mortis deles, tais como ¿epilepsia e febre¿ e ¿febre gástrica nervosa¿. Mais tarde, os atestados de óbito indicavam meningite, doença de Economo, demência pré-senil, leucoencefalite, encefalopatia alcoólica e icto. A causa da morte era, na verdade, sempre a mesma: insônia familiar fatal, IFF, uma doença genética, formalmente identificada apenas em 1986. Ela é rara e, durante algum tempo, os únicos portadores conhecidos da doença, em todo o planeta, eram os descendentes de Giacomo. (Desde então, foram descobertas mais trinta famílias.)

A marcha dos sintomas da insônia familiar fatal é implacável. No caso típico, quando a pessoa está na casa dos 50 anos, de repente passa uma noite inteira sem conseguir dormir. Tenta compensar com um cochilo à tarde, mas não consegue. As pupilas ficam minúsculas. Os homens se tornam impotentes. A pressão sangüínea e o pulso se elevam, a transpiração é copiosa, o corpo todo se acelera. Nos meses seguintes, de modo incessante e desesperador, a pessoa tenta dormir. Às vezes, fecha os olhos, mas só consegue cair num leve estupor, que não proporciona nenhum repouso efetivo. Dentro do cérebro, o sinal de trânsito que controla a vigília está sempre com a luz verde acesa.

Segue-se então um declínio progressivo. A capacidade de se equilibrar, de andar e de falar desaparece gradualmente. O mais trágico, talvez, é que o raciocínio permanece intacto. A vítima costuma saber com precisão o que lhe está acontecendo. Consegue falar sobre o seu martírio e, no início da doença, até escreve seus pensamentos. No fim, perde a coordenação. Quando o corpo pára de trabalhar, só a expressão desesperada nos olhos mostra que a pessoa sabe o que está acontecendo. Na fase final, depois de vários meses, o doente cai num estado de exaustão semelhante ao coma e, misericordiosamente, morre.

Ao menos trinta descendentes de Giacomo morreram dessa maneira no último século ¿ treze depois de 1973, sete na década passada. Entre os vivos, mais 25, pelo menos, são portadores do gene causador da doença. Na região do Vêneto, na Itália, onde ainda reside a maior parte da família, difundiu-se há tempos a história de uma família amaldiçoada por uma enfermidade estranha. Os aldeões falam do assunto pelas costas da família. Embora as mulheres em geral sejam lindas, e a família seja culta e próspera, é difícil casar. Os membros da família não conseguem fazer seguro de vida. ¿Tentei fazer um seguro, outro dia¿, disse Elisabetta Roiter, tataraneta de Giacomo, ¿e depois que preenchi a ficha, a funcionária perguntou: ¿E em qual estágio da doença da família a senhora se encontra?¿¿

Em meados dos anos 80, os jornais italianos descobriram a história da família de Elisabetta. Afiaram suas garras. Ali estava uma família riquíssima com um problema ¿ a insônia ¿ tão exótico para os italianos que não existe em sua língua uma palavra fácil para denominá-lo. A imprensa se interessou pelo assunto quase ao mesmo tempo em que surgiram as primeiras notícias a respeito de um novo flagelo europeu ¿ o mal da vaca louca. As crianças da vizinhança passeavam diante da casa de Elisabetta e soltavam mugidos. A família passou por vários transtornos. A própria Elisabetta sofreu um ataque psicossomático de insônia. À sua maneira cruel, no entanto, as crianças intuíram algo importante. O palpite de que o mal da vaca louca e a insônia familiar fatal estavam de algum modo ligados se mostrou correto. A descoberta ampliou de forma significativa a compreensão da doença.

Cento e sessenta anos depois da morte de Giacomo, o rei da Suécia apertou a mão de Stanley B. Prusiner, professor da Universidade da Califórnia em San Francisco, e lhe entregou o Prêmio Nobel de Medicina de 1997. É raro que um pesquisador ganhe o prêmio sozinho, mas o trabalho de Prusiner era excepcional. Ele conseguiu provar que, em certas condições, as proteínas do corpo podem se deformar e se voltar contra ele. Elas podem levar o corpo a devorar a si mesmo. Prusiner deu a essas proteínas anômalas um nome exótico, príons, e demonstrou que elas causam uma classe rara de enfermidades cerebrais degenerativas: a doença de Creutzfeldt-Jakob, por exemplo, e, mais importante, a encefalopatia espongiforme bovina, a EEB. Conhecida como a doença da vaca louca, quando ataca os seres humanos a EEB se transforma numa variante da doença de Creutzfeldt-Jakob. Na época do prêmio, a doença havia matado duas dúzias de pessoas na Inglaterra, e uma na França. Depois, matou outras oitenta pessoas e se espalhou pelos rebanhos da Europa. Pode vir a matar mais centenas de pessoas, possivelmente milhares. Ninguém sabe ao certo, já que a doença tem um período de incubação bastante longo. A doença da vaca louca fez o que uma família veneziana jamais conseguiria: botou Prusiner e seus príons nas manchetes.

Como ele demonstrou que proteínas deformadas podiam causar doenças? A experiência de Prusiner foi simples. Ele coletou amostras do cérebro de familiares de Elisabetta mortos de insônia familiar fatal. Em seguida, inoculou o material em camundongos geneticamente modificados, a fim de produzir príons humanos. Os camundongos tiveram IFF. Realizou a mesma experiência com matéria cerebral de vítimas da doença de Creutzfeldt-Jakob ¿ e obteve resultados paralelos. Depois, matou os camundongos e inoculou os príons deles em outros camundongos e, de novo, obteve as duas doenças. A conclusão era clara: príons malignos podem causar a doença, assim como os vírus, os parasitas ou as bactérias.

A partir da experiência de Prusiner, a insônia familiar fatal não foi mais encarada como uma doença esdrúxula. Ela está no cruzamento de duas áreas novas e empolgantes da investigação científica: a privação do sono e a pesquisa dos príons. Em duas décadas, os descendentes de Giacomo deixaram de ser vistos como párias e se tornaram uma família cujo material genético é procurado por cientistas do mundo inteiro. Todos dentre eles que adoeceram foram estudados, minuciosamente, por pesquisadores que investigavam os fundamentos do sono.

Várias perguntas acerca da insônia fatal continuam em aberto. Apesar de a grande maioria das vítimas adoecer na meia-idade, por que alguns poucos são atacados na adolescência? Por que alguns têm resultado positivo no exame do gene e nunca adoecem? O estudo de tais irregularidades poderia sugerir um caminho para bloquear a disseminação generalizada de doenças de príons em seres humanos, ou para tratá-los antes que se tornem sintomáticos? Muitos pesquisadores, inclusive Prusiner, crêem que sim ¿ uma garantia de que a família de Elisabetta receberá cada vez mais atenções nos próximos anos.

Da Revista Piauí.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 11:41 PM



Domingo, Março 18, 2007

The Quarter-Life Crisis
(autor desconhecido)

It is when you stop going along with the crowd and start realizing that there are a lot of things about yourself that you didn't know and may or may not like. You start feeling insecure and wonder where you will be in a year or two, but then get scared because you barely know where you are now.

You start realizing that people are selfish and that, maybe, those friends that you thought you were so close to aren't exactly the greatest people you have ever met and the people you have lost touch with are some of the most important ones. What you do not realize is that they are realizing that too and are not really cold or catty or mean or insincere, but that they are as confused as you.

You look at your job. It is not even close to what you thought you would be doing or maybe you are looking for one and realizing that you are going to have to start at the bottom and are scared.

You miss the comforts of college, of groups, of socializing with the same people on a constant basis. But then you realize that maybe they weren't so great after all.

You are beginning to understand yourself and what you want and do not want. Your opinions have gotten stronger. You see what others are doing and find yourself judging a bit more than usual because suddenly you realize that you have certain boundaries in your life and add things to your list of what is acceptable and what is not. You are insecure and then secure. You laugh and cry with the greatest force of your life. You feel alone and scared and confused. Suddenly change is the enemy and you try and cling on to the past with dear life but soon realize that the past is drifting further and further away and there is nothing to do but stay where you are or move forward.

You get your heart broken and wonder how someone you loved could do such damage to you or you lay in bed and wonder why you can't meet anyone decent enough to get to know better. You love someone but maybe love someone else too and cannot figure out why you are doing this because you are not a bad person.

One night stands and random hook ups start to look cheap and getting wasted and acting like an idiot starts to look pathetic. You go through the same emotions and questions over and over and talk with your friends about the same topics because you cannot seem to make a decision.

You worry about loans and money and the future and making a life for yourself and while wining the race would be great, right now you'd just like to be a contender!

What you may not realize is that everyone reading this relates to it. We are in our best of times and our worst of times, trying as hard as we can to figure this whole thing out.

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postado por: Vinícius do Carmo de Andrade 11:19 PM